Refletindo sobre a minha vida.
Sempre aprendi que, quando a gente desabafa sobre o que tá sentindo, a coisa parece que melhora. E ainda tem aquele ditado que fala que, se vc tiver um problema, conte para dez pessoas: na última, ele não será mais um problema.
Tenho sentido isso na pele. Primeiro, por quinta feira quando fui visitar a Juliana. A casa dela é perfeita, um verdadeiro sonho. Tem tv a cabo, todo conforto do mundo e os pais dela até ajudam a pagar as contas do casal recém casado. Ela tá num emprego concursado, vai começar a fazer ginástica e tem grana. Saí de lá meio arrasada, olhando pra minha vida e me sentindo mal porque ralo muito, ganho pouco, meu pai não me ajuda em nada (porque não tem condições e porque nunca quis se esforçou muito mesmo), não tenho nenhum cara apaixonado por mim e mal tenho grana pra comprar uma roupitcha extra no fim do mês. Daí, no dia seguinte, fui ler uma matéria com o Leonardo Di Caprio sobre as filmagens de DIAMANTE DE SANGUE e ele dizia que o que mais o impressionou no período que ficou na África foi a garra das pessoas, apesar de tudo o que eles sofrem. Ele disse que, quando voltou pra L.A., não suportava ouvir alguém reclamando de bobagens. Me senti assim. Se o Leonardo estivesse perto de mim naquele dia, com certeza se sentiria mal porque eu estava reclamando por bobagens. Eu não tenho o emprego dos meus sonhos porque não tive coragem suficiente para correr atrás da carreira de jornalista, mas Deus providenciou um emprego que permite viajar pra São Paulo; fazer contatos com várias pessoas; conviver com uma verdadeira família durante o expediente. Eu não tenho muita grana, mas também sou super mão de vaca e nem gasto tanto assim. Banco todas as minhas contas e me de não depender mais dos meus pais, sendo tão nova. Não tenho ninguém comigo porque nunca abri brecha pra ninguém; sempre dei corda para os caras errados e, aqui entre nós, nem quero e nem me imagino casada, levando uma vidinha de Amélia.
Depois, ainda teve uma senhora que estava no ponto de ônibus comigo e me perguntou, toda tímida e educada, que ônibus eu estava esperando. Daí, ela agradeceu porque ela não sabia ler e estava com receio de pegar o ônibus errado. Gente, a mulher não sabia ler!!! Que maravilha poder andar por aí e não ter que ficar precisando da ajuda de ninguém pra chegar onde quero, pegar um ônibus ou saber o preço de alguma coisa.
Agora, estou mais feliz ainda porque revi o Edsinho, vi a namorada dele e não senti nada. É bem verdade que eu estava uma pilha antes de chegar na igreja e estava me sentindo até mal de fazer tanto sacríficio pra ir num culto vê-lo. Mas valeu muito a pena porque, apesar dos meus sentimentos ainda estarem meio confusos, eu consegui passar por tudo e saber que ele pode se casar, ter filhos e eu não vou me sentir mal ou morrer. Não me sentiria a vontade, fazendo a cena que vi a Priscila fazer, acompanhando os pais dele pra cima e pra baixo e bancando a namorada preocupada com o terno dele que estava alinhado. Eu não sou assim.
Agora, só preciso entrar num acordo com meu lado intelectual. Voltar a estudar é ponto de honra esse ano. Preciso me organizar pra conseguir me focar no espanhol e aprender tudo o que tiver direito.
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