Oi,td bem por aí?
Tô passando por aqui só pra bater ponto mesmo. Ontem foi a ordenação do Edsinho...eu não o via assim cara-a-cara desde a cerimônia em fevereiro e tava realmente nervosa com isso (porque, em fevereiro, tinha a cirurgia do meu pai no dia seguinte; então, eu acho que não tive muito tempo pra ficar pensando nele e em tudo aquilo mesmo); mas, desta vez, eu tive muito tempo pra planejar como seria tudo e como eu poderia mostrar pro mundo que ele não significa mais nada pra mim. Pode parecer estranho, mas eu sentia essa necessidade de provar pra todos que eu o superei, que ele não significa nada mais...acho que fui bem sucedida. E aprendi que, quando necessário, sei ser uma ótima atriz.
A Tina foi comigo e, bem na hora que a gente tava chegando, ele tava lá fora. A Tina e a Me o cumprimentaram cheias de festa, mas eu só consegui falar um “oi, td bem?”. Não adianta querer forçar mais alguma coisa além disso pra uma pessoa que me magoou tanto e deixou tantas marcas ruins na minha vida. Não ajudou muito o fato da Martina ficar narrando cada vez que ele olhava pra mim (a namorada tava sentada do outro lado da igreja, graças a Deus) e, no momento da ordenação dele, as meninas olhavam pra ele e pra mim como se tívessemos algo que nos ligasse. Foi tão difícil ouvir todas aquelas palavras do pastor e ficar com um filme passando na minha cabeça: desde o momento que a gente se conheceu naquela tarde na locadora quando eu fui alugar UM DRINK NO INFERNO; o dia em que eu realmente chorei na igreja pela tragédia que estava começando na minha família e ele foi o ombro amigo que me apoiou; quando a gente teve a fatídica conversa sobre o “nós” que só existiu na minha imaginação; as brigas, as indiretas, as risadas, os abraços...foi como se eu voltasse no tempo e, pra ser honesta, por um segundo eu quis ficar lá atrás nos meus 16 anos. Aquele tempo era tão ótimo em todos os aspectos que eu queria que nunca tivesse terminado. Minha família era normal e eu conseguia sonhar com a minha carreira de jornalista; fazia planos do dia que ele me pedir em namoro e seríamos felizes pra sempre; contava as horas para o final de semana pra sair com a Tina e dar carona pra ele (ou pedir carona, qdo precisava).
Mas a realidade me puxou de volta e ele foi nomeado Reverendo Edson F. M. e deu a primeira benção pra igreja (que, com a graça de Deus, não foi a minha benção favorita senão eu ia despencar lá mesmo) na minha frente. Na saída, ele recebeu os cumprimentos de todos sob o olhar de sargenta da namorada que ficava me encarando como se eu representasse alguma ameaça. Apesar de todos os ensaios, só consegui falar um “Parabéns, Deus te abençoe” e queria que aquele abraço tivesse durado por toda a eternidade. Não tive coragem de falar com ela; ainda não sei se por medo ou raiva, ou sei-lá-o-quê. Fomos pra casa da Me ver filme e eu acabei quase ficando cega porque minha lente desgrudou e arranhou minha pálpebra...um fim de noite clássico.
Sei que não vamos mais nos encontrar, talvez só no céu, e é isso que me dói mais.
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